sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Caneta

Ernest Meissonier
Caneta querida,
vivamos em paz!
Não zombes de mim,
de mim não te alheies.

O meu caminho está em tuas mãos.
Escreve cânticos emocionantes,
em palavras leais e agradáveis,
como o amor, como as flores.

Que as palavras penetrem os corações,
não sejam obscuras,
não sejam languentes
e atravessem os séculos.

Escrever é difícil, difícil é escrever
cantigas que comovam;
escrever sem comover,
ah! não desejes nunca!

Gegham Sarian (1902-1976)
Tradução: Yessai Kerouzian

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Porque o vinho é o espelho dos homens

Giovanni Maria Bottalla
Humedece de vinho a garganta, que o astro
já voltou. É penosa
a estação e tudo
esmorece com o calor. Entre
a folhagem, docemente
a cigarra canta… Floresce
o cardo. É a hora
em que as mulheres se tornam
mais fogosas e mais fracos
os homens, pois que Sírio
as cabeças abrasa e os joelhos.

Alceu de Mitilene (621 a. C. – 560 a.C.)
Tradução: Albano Martins