sexta-feira, 12 de maio de 2017

Perfume exótico

Frederick Carl Frieseke
Quando, cerrando os olhos, numa noite ardente,
Respiro a fundo o odor dos teus seios fogosos,
Percebo abrir-se ao longe litorais radiosos
Tingidos por um sol monótono e dolente.

Uma ilha preguiçosa que nos traz à mente
Estranhas árvores e frutos saborosos;
Homens de corpos nus, esguios, vigorosos,
Mulheres cujo olhar faísca à nossa frente.

Guiado por teu perfume a tais paisagens belas,
Vejo um porto a ondular de mastros e de velas
Talvez exaustos de afrontar os vagalhões,

Enquanto o verde aroma dos tamarineiros,
Que á beira-mar circula e inunda-me os pulmões,
Confunde-se em minha alma à voz dos marinheiros.

Charles Baudelaire (1821-1867)
Tradução: Ivan Junqueira